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domingo, 26 de abril de 2015

Arte (*) e organização -

Eu sinto muito ser contrária, em partes,  ao slogam da marca de sabão em pó.
Sujar-se é realmente muito gostoso e saudável, quando a criança está em contato com a natureza, pisando com seus pezinhos descalços sobre o barro, folhas, areia.
Quando a sua exploração ultrapassa os parâmetros da roupa do passeio limpa, passada, cheirosinha.

Porém, quando o assunto é o que as escolas denominam "artes plásticas", gráficas, pictóricas, tenho visto diversas imagens de crianças com tinta até dentro do ouvido, cabelos melados e corpos sujos.
A exploração sensorial é válida. Contudo, para um ser que está se preparando para a vida e que absorve tudo à sua volta, pode ficar confuso poder se melecar num determinado momento e, em outro, não poder lambuzar as paredes da sala de estar da família.

Os limites do que é permitido num momento e proibido no outro podem parecer simples para nós, adultos, mas, para a criança, é praticamente impossível assumir papéis diferentes de acordo com a vontade e a disposição que temos no momento.









Certa vez, quando meu pequeno era menor, eu cometi o erro fatal de deixá-lo se lambuzar e pintar o  banheiro.  Na minha ignorância, achei que o fato dele não gostar de sujar de tinta era ruim. Como assim? Não deixa sujar uma gotinha na mão? Parece TOC!
Falta de leitura montessoriana de minha parte.
Falta de observação do período sensível
Falta de respeito pelo desenvolvimento dele.





Hoje, contudo, não tenho mais problemas com relação à organização e ordem.
Ele se suja explorando a natureza?
Sem dúvida!
Mas ele pinta a casa com as tintas que ficam dispostas à sua vontade?
Certamente que não!









(*) Sou reticente em considerar isso como arte. Daí o asterisco do título.  A questão é que isso não é, necessariamente, arte. Nessa idade, a criança imita quadros que vê, desenhos, tenta copiar o ambiente. Mas ainda não tem exatamente domínio de todas as técnicas de expressão gráfica para reproduzir o que deseja, tampouco tem conhecimento cultural o suficiente para criar arte. Mas é um exercício de preparo de suas mãos e práticas plásticas. 

O importante é, que neste processo, a criança saiba exatamente como manusear cada material, para qualquer finalidade, pois são as ferramentas que ela utilizará mais tarde para uma verdadeira produção artística. Além disso, a organização e a limpeza fazem com que o foco seja a expressão pictográfica, não a mesa suja ou molhada que lhe frustrará a concentração.

Auxiliar com a apresentação de como se limpar os pincéis, como utilizar pouca tinta que seja suficiente, sem sujar o cabo do pincel, tomar o cuidado para não borrar o desenho, não sujar a mesa. Deste modo, torna-se desnecessário, inclusive, forrar a mesa. Utilizo a mesa da minha sala para isto sem a menor cerimônia, pois não ficam respingos de tinta. Ao final do trabalho, ele mesmo limpa o que ficou.