Montessori parte da escrita para a leitura... Parte também da preparação motora, da lateralidade, exercícios com palavras, enfim. Esta preparação indireta que me é familiar, da época de escola, não é tão levada em consideração hoje em dia. Aqui em casa, como não estamos em escola Montessoriana, acabamos incorporando alguns elementos que acabam vindo da própria demanda dos meninos.
Emília Ferreiro nos diz que a construção da linguagem escrita não se dá apenas pela simples associação entre grafema e fonema (letra e som), tampouco à simples memorização e fixação do código escrito. Que é um conjunto com o meio social onde a criança está inserido e que estes grafemas e fonemas sofrem esta influência social, tornando-se um PRODUTO desta interação.
Inicialmente a criança trabalha com hipóteses próprias, provenientes de conhecimento prévio, aprendizados em relação ao meio em que vivem, além dos textos falados e escritos a que têm acesso à sua volta, as assimilações e generalizações que atribuem a estas mensagens faladas e escritas.
Sinceramente, eu não havia me organizado nas atividades em casa, para preparar meus filhos à leitura, apesar de ter alfabetizado os mais velhos.
Mas algumas coisas fogem à nossa organização sistemática quando falamos de homeschooling. Quando percebi que Caio ficava encantado com o programa "O Jardim da Clarilu! e começou a conhecer as letras de forma praticamente espontânea... Vi que era um bom gancho. Comprei-lhe letras de madeira, trabalhei alfabeto em lixa e cheguei a fazer algumas fichas do sistema Doman.

Sempre respeitando a vontade dele, o método Doman realmente foi uma furada. Ele logo se encheu.
Contudo, algumas palavrinhas ficaram. Aquelas as quais ele realmente mostrou interesse. Fizemos então um painel com alguns nomes da família, que ele conhece desde a época do Doman e outra lista com nomes de animais.

Além disso, as fichas de pareamento que confeccionei a algum tempo estão sendo maravilhosas. Ele ainda utiliza a imitação, a cópia simples. Mas acho fantástico o fato dele querer copiar, por mais ingênuo que pareça. Ele já reconhece as letras, já as busca, procura, ordena no local certo e...quando vê que a letra fica numa posição contrária, de ponta cabeça ou espelhada, logo trata de consertar sua palavra.
E assim...as hipóteses de escrita do Caio vão se formando. Seja através da cópia, da imitação ou de conhecimento prévio de algumas palavras, ele já entende que podemos nomear o que tem a seu redor. Está começando a construir o que, para ele, está sendo fantástico! A Alegria em colocar o animalzinho ao lado da palavra que escreveu e me mostrar "Olha, mamãe! Escrevi Macaco!"Não, ele não quer saber se está certo ou errado.
Neste ponto, Emília Ferreiro que me perdoe, mas sou Montessori.
Controle de erro.
Ele mesmo vê quando escreveu errado. Ele procura o acerto. Ele conserta.
Então...não existe o "PARABÉNS, FILHO...VOCÊ FEZ CERTO!!!"
Não...não mesmo.
Também não existe a frustração do erro, ou o meu olhar de decepção.Ele simplesmente procura e conserta. A satisfação está no ato em si. Em conseguir nomear o objeto. Este é o ato, o que traz prazer à atividade que ele completou. Nem castigo, nem prêmio. Só a felicidade de ver a capacidade que ele tem de conseguir realizar um feito!
E aqueles olhos brilhante de felicidade... Ah...não tem preço!

