segunda-feira, 20 de abril de 2015

Feriado - A importância do contato com a natureza

"Somente os poetas vivem o encanto de um tênue fio de água que saltita pelas pedras, como o vive, igualmente a criança que, eufórica e contente, se agacha para tocá-lo com as mãos, como que acariciando-o" 

Maria Montessori,  Pedagogia Científica






Vivemos enjaulados. Presos entre paredes de concreto, condicionamos nossos corpos, mentes e espíritos a ignorar a natureza e viver nossa rotina execrando aquilo que nos faz tanta falta. O contato com o mundo que nos rodeia. 
Com nossa formação e educação desde a infância, fomos tolhidos. Aos poucos, perdemos o brilho no olhar ao contemplar uma simples mudança de cores no meio do verde, por conta de estações do ano. Ficamos habituados a desperceber o canto dos pássaros em meio aos alardes do trânsito e até avistar uma simples borboleta nos pega de surpresa como um acontecimento de outro mundo.

Montessori afirmou em seu livro Pedagogia Científica, que devemos reparar os danos causados às crianças, que já estão condicionadas às prisões domiciliares, cujas vidas frágeis definham em ambientes artificiais. Ela pede, inclusive, que levemos até os pequenos que ainda não caminham, para os passeios ao ar livre. 

Em meu convívio com familiares de ex alunos, alunos da escola de música de meu esposo, amigos e  familiares nossos, sempre escutei sobre o quanto é difícil segurar as crianças quando começam a andar. No mesmo livro, Montessori comenta o fato de sempre tentarmos fazer com que as crianças durmam cedo, não andem descalças na terra e na grama, que não se sujem e, ainda, algumas pessoas se desculpam sobre não participarem de caminhadas longas na natureza por falta de preparo, hábito.

Para que devemos "segurar" as crianças? Qual seria o intuito se, ao contrário, devemos libertá-las de suas prisões artificiais, compostas por concreto, eletrônicos e obstáculos ao seu desenvolvimento?

Na manhã de hoje, tive o prazer de OBSERVAR meu caçula Próspero caminhando. Sem a mínima interferência. Foram voltas e mais voltas ao redor do parque, sem a mínima parada para descanso. 



Olhava ao redor, respirava, olhava para o céu. Não era uma corrida desesperada para fugir da corrente imposta pelas mãos apreensivas de seus pais. Era uma simples caminhada em liberdade, sem precisar fugir da prisão de nosso colo. Sabia, porém, que estávamos o observando. Mas não era impedimento para que ele pudesse simplesmente caminhar. 






Foram 10, depois 20, depois 30, atingindo 42 minutos de caminhada livre. Parou na metade do percurso, para observar os pombos que se achegavam. Não virou para mim sequer para me mostrar os pássaros, como é seu costume. Foi uma visão que o deixou feliz, sorrindo e bastou para si mesmo. 



O mais interessante são os obstáculos. Aquilo que o faz sentir vontade de escalar, de pular, de atravessar. Como prover esse movimento no ambiente de nossos lares, sem que eles sejam considerados "desobedientes" por subirem nos móveis, escalarem o sofá? Como impedir que esta necessidade natural seja contemplada?








Mas o passeio não contou apenas com nosso pequeno caçula, claro. Contamos com o passeio da família toda, com escaladas, castelos de areia, brincadeiras livres, jogos de bola e ainda andar de bicicleta. 





Infelizmente, nossas obrigações nos impedem de vivermos este contato diariamente. Mas devemos nos policiar, para não cairmos na rotina do esquecimento do contato com a natureza. O amor à natureza, como Montessori nos lembra, é um hábito como qualquer outro, que se aperfeiçoa no decorrer do tempo que dedicamos ao contato com o a mesma. Se não conseguirmos reparar os danos causados à falta deste contato em nossas vidas de adultos sem o brilho no olhar, ao menos não deixaremos que nossos pequenos seres humanos, ainda encantados com a beleza da natureza, percam seu brilho inigualável no olhar para o mundo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário